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...♪...
Ronnie
Seu pai estava sendo alimentado por uma sonda intravenosa em uma cama de hospital quando contou a ela. Ela imediatamente começou a balançar a cabeça. Não podia ser verdade....♪...
Ronnie
"Não", ela disse, "isso não está certo. Médicos cometem erros"
"Não dessa vez", ele disse, procurando pela mão dela. "E eu sinto muito que você tenha descoberto isso assim"
Will e Jonah estavam lá embaixo, na cafeteria. Seu pai queria falar com cada filho, separadamente, mas de repente, Ronnie não queria mais nada daquilo. Ela não queria que sei pai falasse mais nada, nenhuma palavra.
Em sua mente passavam flashes de diferentes imagens: repentinamente, ela sabia o porquê seu pai quis que ela e Jonah viessem passar as férias na Carolina do Norte. E ela entendeu que sua mãe sabia da verdade o tempo todo. Com tão pouco tempo restando, ele não tinha vontade de discutir com ela. E seu trabalho incessante na janela agora fazia sentido. Ela lembrou da tosse dele na igreja e das vezes que ele estremeceu de dor. Em retrospectiva, todas as peças encaixaram-se. No entanto, tudo estava caindo aos pedaços.
Ele nunca a veria se casando; ele nunca seguraria um neto. O pensamento de viver o resto de sua vida sem ele era quase demais para suportar. Não era justo. Nada disso era justo. Quando ela falou, ela parecia insegura. "Quando você ia me contar?"
"Eu não sei"
"Antes de eu partir? Ou depois que eu já estivesse em Nova York?"
Quando ele não respondeu, ela pôde sentir o sangue esquentando em suas bochechas. Ela sabia que não deveria estar com raiva, mas não conseguia evitar. "O quê? Você estava planejando me contar por telefone? O que você iria dizer? 'Oh, me desculpe não ter mencionado enquanto estávamos juntos no verão passado, mas eu tenho câncer em estado terminal. Como é isso para você?'"
"Ronnie - "
"Se você não ia me contar, porque me trouxe até aqui? Para que eu assistisse você morrendo?"
"Não, querida. Muito pelo contrário". Ele virou a cabeça para encará-la. "Eu pedi para você vir para assiti-la viver"
Com essa resposta, ela sentiu algo se agitar em seu interior, como as primeiras pedras que se soltam antes de uma avalanche. No corredor, ouviu duas enfermeiras passando, suas vozes baixas.As luzes fluorescentes zumbiam acima de sua cabeça, lançando uma nuvem azulada nas paredes. O IV escorria constantemente - cenas normais em qualquer hospital, mas não havia nada de normal nisso. Ela sentiu sua garganta tão espessa
e pegajosa como cola, e ela se virou, desejando que as lágrimas não viessem.
"Eu sinto muito, querida", ele continuou. "Eu sei que deveria ter te contado, mas eu queria ter um verão normal, e eu queria que você tivesse um verão normal. Eu só queria conhecer minha filha de novo. Você pode me perdoar?"
Seu apelo a atingiu no âmago, e ela sentiu um choro involuntário. Seu pai estava morrendo, e queria que ela o perdoasse. Havia algo tão lamentável naquilo, e ela não sabia como responder. Enquanto esperava, ele
estendeu sua mão e ela a pegou.
"É claro que eu perdôo você", ela disse, e começou a chorar. Ela se inclinou na direção dele, descansado a cabeça em seu peito, e percebeu o quão magro ele estava, mesmo sem ela ter percebido antes. Ela podia sentir o contorno acentuado dos ossos em seu peito, e de repente ela percebeu que vinha definanhando por meses. Isso quebrou seu coração, saber que ela não estava prestando atenção; ela estava tão presa em sua
própria vida que ela não tinha notado. Quando seu pai colocou seus braços ao redor dela, ela começou a chorar mais, consciente de que logo haveria um momento que esse simples ato de carinho não seria mais possível.
......
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