26
...♪...
Ronnie
Após o dia de folga que seu pai e Jonah tiraram, Ronnie foi procurar porBlaze, antes de cumprir sua obrigação no aquário. Ela descobriu que nao
tinha nada a perder. O pior que poderia acontecer era Blaze mandá-la se
ferrar ou simplesmente ignorá-la, o que a levaria para o mesmo lugar
onde ela estava agora. Ela não esperava que Blaze de repente mudasse
de idéia e não queria criar esperança, mas era difícil resistir. Will tinha um
ponto quando dizia que Blazer não era como Marcus, que era
completamente sem noção, e ela tinha que estar sentindo um pouquinho
de culpa, certo?
Não demorou muito para que Ronnie a encontrasse. Blaze estava
sentada em uma duna próxima ao píer, observando os surfistas. Ela não
disse nada enquanto Ronnie se aproximava.
Ronnie não tinha certeza de como começar, então optou pelo óbvio.
"Oi, Blaze", ela disse.
Blaze não disse nada, e Ronnie encontrou-se continuando a conversa.
"Eu sei que você provavelmente não quer falar comigo..."
"Você está parecendo um ovo de páscoa."
Ronnie olhou para a roupa que era obrigada a usar no aquário: uma
camiseta turquesa, com a logo do aquário, short e sapatos brancos.
"Eu tentei mudar o uniforme para preto, mas eles não permitiram"
"Que pena. Preto é a sua cor." Blaze lançou um sorriso rápido. "O que
você quer?"
Ronnie engoliu em seco. "Eu não estava atrás de Marcus naquela noite.
Ele veio até a mim, e eu não sei o porquê ele te disse o que disse, talvez
ele quisesse te deixar com ciúmes. Tenho certeza que você não acredita
em mim, mas eu quero que você saiba que eu nunca faria algo parecido
com você. Eu não sou esse tipo de pessoa."
Tudo tinha saído em um ímpeto, mas agora já estava dito.
Blaze ficou quieta por um momento, e então disse "eu sei".
Não era a resposta que Ronnie esperava. "Então porque você colocou
aquelas coisas em minha bolsa?", ela perguntou abruptamente.
Blaze lançou-lhe um olhar da lado. "Eu estava zangada com você. Porque
é óbvio que ele gosta de você"
Ronnie segurou uma resposta que teria colocado um rápido fim na
conversa, a fim de deixar Blaze prosseguir. Blaze focou nos surfistas
novamente.
"Eu reparei que você tem passado bastante tempo com Will esse verão"
"Ele disse que vocês dois costumavam ser amigos"
"É, nós éramos", ela disse. "Há muito tempo atrás. Ele é legal. Você tem
sorte." Ela esfregou as mãos em sua calça. "Minha mãe vai se casar com
o namorado dela. Depois que ela me contou, nós brigamos feio e ela me
expulsou de casa. Ela trocou as fechaduras e tudo"
"Eu sinto muito por ouvir isso", Ronnie disse, e realmente sentia.
"Eu vou sobreviver"
O comentário dela fez Ronnie pensar nas semelhanças que haviam nas
vidas delas - divórcio, raiva, rebelião, pais casando novamente - e apesar
dessas coisas, não eram o mesmo tipo de pessoa. Blaze havia mudado
desde o começo do verão. Ela não tinha o mesmo entusiasmo pela vida
que Ronnie percebeu quando se conheceram, e Blaze parecia mais velha
também, mesmo que a diferença de idade delas fosse de apenas
semanas. Mas não de um jeito bom. Havia bolsas embaixo de seus olhos,
e sua pele estava amarelada. Ela tinha perdido peso também. Muito peso.
De uma maneira estranha, era como se Ronnie estivesse vendo a pessoa
que ela mesmo poderia ter se transformado.
"O que você fez comigo foi errado", Ronnie disse. "Mas você ainda pode
fazer o certo"
Blaze sacudiu sua cabeça lentamente. "Marcus não deixaria. Ele disse
que não falaria comigo novamente"
Ouvindo o tom robótico de sua voz, Ronnie teve vontade de sacudí-la.
Blaze pareceu sentir o que Ronnie estava pensando, e suspirou antes de
continuar.
"Eu não tenho nenhum outro lugar para ir. Minha mãe ligou para todos os
parentes e disse para que eles não me aceitem. Ela me disse que foi
difícil para ela, mas que eu precisa de um 'amor firme' nesse momento.
Mas eu não tenho dinheiro para comer, e a menos que eu queira dormir
na praia todas as noites para o resto da minha vida, eu tenho que fazer o
que Marcus manda. Quando ele está zangado comigo, ele não me deixa
tomar banho na casa dele. E ele não me dá nenhum dinheiro quando
vamos a shows, então eu não posso comer também. Ele me trata como
um cachorro ás vezes, e eu odeio isso. Mas quem mais eu tenho"
"Você tentou conversar com sua mãe?"
"Qual o sentido? Ela pensa que eu sou uma causa perdida, e me odeia"
"Eu tenho certeza que ela não te odeia"
"Você não a conhece como eu"
Ronnie lembrou-se da vez que foi na casa de Blaze e viu o dinheiro dentro
do envelope. Não soava como a mesma mãe, mas Ronnie não quis falar
disso. Em silêncio, Blaze levantou-se e parou. Suas roupas estavam sujas
e amassadas, e parecia que ela estava usando as mesmas roupas há
pelo menos uma semana. O que era provavelmente verdade.
"Eu sei o que você quer que eu faça", Blaze disse. "Mas eu não posso. E
não é porquê eu não goste de você. Eu gosto. Eu acho que você é legal,
e eu não deveria ter feito o que fiz. Mas eu estou em uma armadilha,
como você. E eu acho que Marcus não terminou com você, também"
Ronnie endureceu. "O que você quer dizer?"
Blaze hesitou. "Ele tem falado de você novamente. Mas não de um jeito
bom. Eu ficaria longe de mim, se fosse você"
Antes que Ronnie pudesse responder, Blaze saiu andando.
"Hey, Blaze", ela chamou.
Blaze virou-se calmamente,
"Se você precisar de algo para comer ou um lugar para ficar, você sabe
onde eu moro"
Por um momento, Ronnie pensou ter visto mais do que um flash de
gratidão em seu olhar, mas também um pouco da garota esperta e cheia
de vida que ela conheceu em junho.
"E mais uma coisa," Ronnie acrescentou. "Aquilo que você faz com o fogo
com Marcus é loucura"
Blaze lançou-lhe um sorriso triste. "Voce realmente acha que é mais louco
do que qualquer outra coisa em minha vida?"
Na tarde que se seguiu, Ronnie ficou parada em frente ao seu guardaroupa,
sabendo que ela não tinha absolutamente nada para usar. Mesmo
que ela decidisse ir ao casamento - e ela não tinha certeza absoluta ainda
se iria - ela não tinha nada nem remotamente apropriado para usar, a
menos que fosse um casamento do Ozzy Osbourne e seu clã.
Mas era um casamento formal, com traje black tie. Smokings e vestidos
eram obrigatórios para os convidados. Ela nunca imaginou que iria a um
lugar assim quando estava fazendo suas malas em Nova York. Ela nem
mesmo trouxe o par de scarpin preto que sua mãe havia lhe dado no
Natal passado, aqueles que ainda estavam na caixa.
Ela realmente não entendi o porque Will queria que ela fosse. Mesmo que
ela achasse uma maneira de ficar apresentável, ela sabia que não teria
ninguém com quem conversar. Will estaria na festa, tirando fotos
enquanto ela estivesse indo para a recepção, e ele teria que sentar na
mesa dos noivos, então eles nem estariam juntos para a refeição. Ela
provavelmente sentaria na mesa com um governador ou senador ou uma
família que tinha seu próprio jatinho... Por falar em estranho. Acrescente o
fato que Susan odiava-a, a coisa toda era uma péssima idéia. Uma idéia
realmente ruim, terrível de todas as maneiras.
Por outro lado...
Quando ela teria a oportunidade de ser convidada para um casamento
assim de novo?
Supostamente, a casa passou por uma grande transformação nas últimas
semanas. Uma plataforma temporária tinha sido erguida sobre a piscina,
tendas tinham sido levantadas, dezenas de milhares de flores haviam sido
plantadas, e não só as luzes tinham sido alugadas de um estúdio de
filmes em Wilmington, mas os funcionários tinham vindo e armado tudo. O
buffet - de caviar a champange Cristal - tinha sido fornecido por três
diferentes restaurantes de Wilmington, e quem tinha supervisionado toda
a operação tinha sido um chef que Susan conhecia de Boston, que
supostamente tinha sido o chef de cozinha da Casa Branca. Tudo era do
melhor, certamente nada do que ela queria para o casamento dela - algo
como uma praia no México, com uma dúzia de pessoas como convidados
era mais o estilo dela - mas ela supôs que isso era parte da atração da
festa. Ela nunca iria em um casamento assim em toda sua vida.
Assumindo, é claro, que ela pudesse encontrar algo para usar.
Honestamente, ela nem sabia o porquê ela estava procurando no closet.
Ela não podia fazer mágica e transformar seus jeans em um vestido, ou
fingir que uma nova cor em seu cabelo iria fazer com que ninguém
reparasse em suas camisetas de concerto. A única roupa decente que ela
tinha, a única que Susan poderia talvez não achar repugnante caso ela
estivesse indo simplesmente ao cinema, era a roupa que ela usava no
aquário, a que a fazia parecer um ovo de páscoa.
"O que você está fazendo?"
Jonah estava parado na porta do quarto, encarando-a.
"Estou procurando algo para vestir", ela disse.
"Você vai sair?"
"Não. É para ir ao casamento"
Ele inclinou a cabeça. "Você vai se casar?"
"Claro que não; É o casamento da irmã de Will"
"Qual nome dela?"
"Megan"
"Ela é legal?"
Ronnie sacudiu a cabeça. "Eu não sei. Eu não a conheço"
"Então porque você vai ao casamento dela?"
"Porquê Will me pediu que fosse. É assim que funciona", ela explicou.
"Ele pode levar um convidado. E eu sou a convidada dele"
"Oh", ele disse. "O que você vai vestir?"
"Nada. Eu não tenho nada"
Ele deu uma volta ao redor dela. "O que você está usando é legal".
A roupa de ovo de páscoa. Claro.
Ela deu um puxão em sua camisa. "Eu não posso usar isso. É um
casamento formal. Eu devo usar um vestido"
"Você tem algum aí no closet?"
"Não"
"Então porque você está parada ai?"
Certo, ela pensou, fechando a porta. Ela se jogou na cama.
"VOcê está certo", ela disse. "Eu não posso ir. Simples assim."
"Você quer ir?", Jonah perguntou, curioso.
Em segundos, os pensamentos dela mudaram de Claro que não para
Talvez e finalmente, para Sim, eu quero. Ela sentou-se em cima das
pernas. "Will quer que eu vá. Isso é importante para ele. E será algo bom
de se ver"
"Então porque você não compra um vestido?"
"Porque eu não tenho dinheiro", ela disse.
"Oh", ele disse. "Isso é fácil de resolver." Ele foi até sua coleção de
brinquedos no canto. Encravado no fim da pinha estava um modelo de
avião, ele o pegou e desapertou o bico do avião. Quando ele começou a
despejar o conteúdo na cama, o queixo de Ronnie se abriu vendo a
quantidade de dinheiro que ele tinha acumulado. Deveria ter ali pelo
menos uns duzentos dólares.
"É meu banco", ele disse. Ele franziu o nariz. "Eu venho guardando há um
tempo"
"Onde você conseguiu isso tudo?"
Jonah apontou para um nota de dez dólares. "Essa foi por não dizer ao
papai que te vi no festival". Agora ele apontava aleatoriamente. "Essa foi
por não dizer ao papai que você estava dando uns amassos com Will.
Esse é do cara com o cabelo azul, e este foi jogo de pôquer. Esse aqui foi
de quando você escapou de casa após seu toque de recolher - ..."
"Entendi", ela disse. Mas ainda assim... Ela piscou. "Você guardou tudo
isso?"
"O que mais eu deveria fazer com isso?", ele perguntou; "Mamãe e papai
me compram tudo que eu preciso. Tudo que eu tenho que fazer é pedir
por um tempo. É bem fácil conseguir o que quero. Você só tem que saber
como. Com mamãe, eu preciso chorar, mas papai só me faz explicar o
porquê eu mereço"
Ela sorriu. Seu irmãozinho, um chantagista manipulador. Impressionante.
"Então eu realmente não preciso. E eu gosto de Will. Ele faz você feliz"
Sim, ela pensou, ele faz.
"Você um ótimo irmãozinho, sabia?"
"SIm, eu sei. E você pode ter tudo isso, com uma condição"
Aí vem, ela pensou. "Sim?"
"Eu não vou com você ao shopping. É entediante"
Não demorou muito para ela tomar uma decisão. "Feito"
Ronnie olhou para si mesma, dificilmente reconhecendo a imagem no
espelho. Era a manhã do casamento, e ela tinha passado os últimos
quatro dias experimentando todos os vestidos da cidade, andando para
cima e para baixo em vários pares de sapatos novos, e sentada por horas
em um salão de beleza.
Levou quase uma hora para que ela enrolasse o cabelo do jeito que a
menina do salão tinha ensinado a ela. Quando Roonie sentou-se naquela
cadeira, ela também pediu dicas sobre maquiagem, e a garota tinha dado
algumas sugestões que Ronnie tinha seguido minuciosamente. O vestido
- ela não tinha visto muita coisa boa, apesar do número de lojas que tinha
visitado - com um grande decote em V e lantejoulas presas, era algo
muito distante daquilo que ela costumava usar. Na noite anterior, ela tinha
feito as unhas sozinha, levando todo o tempo do mundo, e encantada por
não ter borrado nenhuma delas.
Eu não te conheço, Ronnie disse para seu reflexo. Eu nunca vi voçê
antes. Ela puxou o vestido, ajeitando-o ligeiramente. Ela parecia muito
bem, ela tinha que adimitir. Ela sorriu. Definitivamente, ela estava boa o
bastante para o casamento.
Ela escorregou em seus novos sapatos a caminho da porta, e atravessou
o corredor até a sala. O pai dela estava lendo a Bíblia de novo, e Jonah
estava assistindo desenhos, como sempre. Quando seu pai e seu irmão
olharam para cima, eles visivelmente, deram uma segunda olhada.
"Oh droga", Jonah disse.
Seu pai olhou para ele. "Você não deveria dizer essa palavra"
"Desculpe pai", Jonah disse, inocentemente. "Eu quis dizer, caramba", ele
tentou de novo.
Ronnie e seu pai riram, e Jonah encarou os dois. "O quê?"
"Nada", seu pai disse. Jonah levantou-se para inspecioná-la mais de
perto.
"O que aconteceu com o roxo em seu cabelo?", ele perguntou. "Sumiu"
Ronnie sacudiu seus cachos. "Temporariamente", ela disse. "Está legal?"
Antes que seu pai pudesse responder, Jonah disparou. "Você parece
normal de novo. Mas você não é nada parecida com minha irmã"
"Você está maravilhosa", seu pai disse, rapidamente.
Surpreendendo a si mesma, Ronnie deu um suspiro de alívio. "O vestido
está bonito?"
"Está perfeito", seu pai respondeu.
"E meus sapatos? Eu não tenho certeza se eles combinam com o vestido"
"Eles estão combinando perfeitamente"
"Eu tentei fazer minha maquiagem e minhas unhas..."
Antes mesmo dela terminar, seu pai sacudiu a cabeça. "Você nunca
esteve tão linda", ele disse. "Na verdade, eu não sei se existe alguém tão
bonita em todo o mundo"
Ele costumava dizer a mesma coisa a centenas de anos atrás. "Pai -"
"Ele está falando sério", Jonah interrompeu. "Você está maravilhosa. Eu
estou sendo honesto. Eu mal reconheci você"
Ela o encarou com uma falsa indignação. "Então você está dizendo que
não gosta de como eu sou normalmente?"
Ele encolheu os ombros. "Ninguém gosta de cabelos roxos. Exceto
pessoas esquisitas"
Quando ela riu, ela pegou seu pai sorrindo para ela.
"Uau", foi tudo que ele pode dizer.
Meia hora depois, ela estava passando pelos portões da casa dos
Blakelle, seu coração disparado. Eles tinham acabado de passar pelo
desafio de mostrar suas identidades para os patrulhas no lado de fora, e
agora estavam sendo parados por homens de terno que queriam
estacionar o carro. Seu pai tentou explicar calmamente que só estava
deixando-a lá, mas sua resposta não fez nenhum sentido para os três
seguranças - eles não conseguiam compreender como um convidado do
casamento não possuía seu próprio carro.
E a decoração...
Ronnie teve que admitir que o lugar estava tão espetacular como um set
de filmes. Havia flores em todos os lugares, a sebe tinha sido aparada
com perfeição, e cada tijolo e parede que cercavam a casa tinha sido
pintada recentemente.
Quando eles finalmente foram capazes de fazer o retorno, seu pai
encarou a xasa, que estava crescendo no fundo. Eventualmente, ele
virou-se para ela. Ela não estava acostumada a ver seu pai sendo pego
de surpresa por nada, mas ela podia ouvir isso em sua voz.
"Essa é a casa de Will?"
"É, é sim", ela disse. Ela sabia o que ele diria: era enorme, ou que ele não
sabia quão rica a família dele era, ou mesmo se ela sentia que pertencia a
um lugar como esse.
Ao invés disso, ele sorriu, sem nenhum traço de egoísmo.
"Que lugar adorável para um casamento"
Ele dirigiu cuidadosamente, não atraindo atenção extra para o velhor
carro que eles estavam. Era atualmente o carro do Pastor Harris, um
velho Toyota Sedan, com uma mala que tinha saído de moda assim que o
carro foi lançado, em 1990; mas andava, e neste momento, isso era bom
o suficiente. Seu pé já estava doendo. Como algumas mulheres usavam
sandálias assim todos os dias, estava além da compreensão dela. Mesmo
que estivesse sentada, ela sentia como se fosse um instrumento de
tortura. Ela deveria ter coberto seus pés com Band-Aids. E obviamente,
seu vestido não tinha sido desenhado para usar sentada; estava
apertando suas costelas, dificultando sua respiração. Mas também, talvez
ela estivesse apenas nervosa demais para respirar.
Seu pai fez o caminho ao redor da casa, com o olhar fixo na estrutura
como ela na primeira vez que tinha ido lá. Apesar de saber que ela já
deveria estar acostumada com isso agora, o lugar ainda parecia opressor
para ela. Adicione isso aos convidados - ela nunca tinha visto tantos
smokings e vestidos na vida - e ela não podia evitar de sentir-se
desconfortável, como se não pertencesse ali.
Á frente, um homem em um terno escuro estava sinalizando para os
carros, e antes que ela percebesse, era a vez dela sair. Enquanto o
homem abria a porta e oferecia sua mão para ajudá-la a sair, sei pai
estendeu a mão e a acariciou.
"Você pode fazer isso", ele sorriu. "E divirta-se"
"Obrigada, pai"
Ela se olhou no espelho mais uma vez antes de sair do carro. Uma vez do
lado de fora, ela arrumou seu vestido, percebendo que era mais fácil para
ela respirar agora que estava de pé. A varanda estava decorada com
lilases e tulipas, e enquanto ela subia os degraus em direção a porta, a
mesma abriu-se repentinamente.
Em seu smoking, Will não parecia nada com o jogador de vôlei sem
camisa. ou o tranquilo garoto do sul que tinha levado-a para pescar; de
um jeito, era como se ela estivesse tendo um vislumbre do bem sucedido
e sofisticado homem que ele seria daqui a uns anos. De algum jeito, ela
não esperava vê-lo tão... refinado, e ela estava prestes a fazer uma piada
sobre como ele havia se limpado muito bem, quando reparou que ele não
tinha dito nem 'oi' ainda.
Por um longo tempo, tudo que ele fez foi encará-la. No silêncio que se
estendeu, as borboletas em seu estômago pareciam pássaros, e ela só
conseguia pensar que poderia ter feito algo errado. Talvez ela estivesse
chegado muito cedo, ou talvez ela tivesse exagerado na maquiagem e na
roupa. Ela não tinha certeza do que pensar e estava começando a
imaginar o pior quando Will finalmente sorriu.
"Você está... incrível", ele disse, e com aquelas palavras, ela sentiu-se
relaxando. Bem, pelo menos um pouco. Ela ainda não tinha visto Susan, e
até lá, ela não estava fora de perigo. Ainda assim, ela estava encantada
por Will ter gostado do que viu.
"Você não acha que está demais?"
Will chegou mais perto e repousou suas mãos na cintura dela.
"Definitivamente, não"
"Mas também não está de menos, não é?"
"Na medida certa", ele sussurrou.
Ela se aproximou, ajeitando a gravata borboleta dele, e então jogou seus
braços ao redor do pescoço dele. "Eu tenho que admitir que você não
parece mal também"
Não foi tão ruim como ela pensava que seria. Ela descobriu que já tinham
tirado a maioria das fotos com a noiva antes que os convidados
chegassem, então ela e Will tinham algum tempo para ficarem juntos
antes da cerimônia. NA maior parte do tempo, eles caminharam pelos
jardins, Ronnie de boca aberta com todos os arranjos. Will não estava
brincando: a parte de trás da casa tinha sido completamente
reestruturada, e a piscina havi sido coberta com um deck temporário, que
parecia qualquer coisa, menos temporário.
Dezenas de cadeiras brancas estavam espalhadas pela superfície, de
frente para uma tenda branca onde Megan e seu noivo iam trocar seus
votos. Novas calçadas foram construídas no quintal, o que facilitou o
acesso a algumas mesas, onde seria o jantar, sob a enorme abóbada de
uma outra tenda branca. TInham cinco ou seis esculturas de gelo,
intrinsicamente elaboradas, grandes o suficiente para ficarem na mesma
forma, sem derreter por horas. Mas o que realmente prendeu o interesse
dela foram as flores. O terreno era um mar de brilhantes de glaudiolos* e
lilases.
* http://www.veronicas.com.br/blog/wpcontent/
uploads/2008/09/gladiolo1.jpg
Os convidados eram aquilo que ela já esperava. Além de Will , o único
convidado que ela conhecia era Scott, Ashley e Cassie, e nenhum deles
estava ansioso para vê-la. Não que isso importasse muito. Uma vez que
as pessoas ocuparam seus lugares, todo, com exceção talvez de Will,
estavam focados na iminente chegada de Megan. Will parecia contente
em fixar seu olhar em Ronnie.
Ela queria ser mais discreta o possível, então escolheu sentar-se nas
fileiras de trás e longe do corredor. Até agora, ela não tinha visto Susan,
que estava provavelmente preocupando-se com Megan, e ela rezou para
que Susan não a notasse até o fim da cerimônia. Se ela seguisse seu
caminho, Susan provavelmente não a notaria, mas também era
impróvavel, já que ela passaria muito tempo com Will.
"Com licença", ela ouviu alguém dizendo. Olhando para cima, ela viu um
homem mais velho e sua esposa tentando passar por ela para sentarem
nos lugares vazios ao lado dela.
"É mais fácil se eu chegar para lá", ela ofereceu.
"Você tem certeza?"
"Sem problemas", ela disse, movendo-se para o último assento vazio para
abrir caminho. O homem parecia-lhe vagamente familiar para ela, mas a
única conexão que veio-lhe a mente foi o aquário, e não parecia ser o
caso.
Antes que ela pudesse imaginar mais, um quarteto iniciou os primeiros
acordes da Marcha Nupcial. Ela olhou por cima do ombro em direção à
casa, junto com todo mundo. Ela ouviu um audível som de admiração.
Megan apareceu no alto dos degraus da varanda. Enquanto ela descia,
seu pai a esperava lá embaixo. Ronnie fez uma decisão instântanea de
que Megan era a noiva mais deslumbrante que ela já havia visto.
Ocupada pela visão que era a irmã de Will, ela mal registrou que o
homem mais velho ao lado dela estava mais ocupado em observá-la do
que a Megan.
......
Nenhum comentário:
Postar um comentário