23
...♪...
Will
Para Will, o verão estava passando rápido demais. Entre passar os diastrabalhando na oficina e depois ficar o restante do tempo quase todo com
Ronnie, os dias pareciam voar. De acordo com que agosto se aproximava,
ele se encontrou extremamente ansioso pelo pensamento de que em
algumas semanas ela estaria voltando para Nova York e ele estaria indo
para Vanderbilt.
Ela tinha se tornado parte da vida dele - de muitas maneiras, a melhor
parte. Mesmo que ele nem sempre a entendesse, suas diferenças
pareciam fazer o relacionamento deles, de alguma maneira, mais forte.
Eles haviam conversado sobre a oferta dele acompanhá-la à corte, e ela
recusou, inflexível, mas ele a surpreendeu esperando por ela do lado de
fora do tribunal com um buquê de flores. Ele sabia que ela estava
chateada porque as queixas não haviam sido retiradas - sua próxima
audiência estava marcada para dia 28 de agosto, três dias após ele partir
para a universidade - mas soube que tinha feito a coisa certa em aparecer
quando ela aceitou o buquê com um tímido beijo.
Ela o surpreendeu arrumando um emprego de meio expediente no
aquário. Ela não contou nada sobre seus planos, nem perguntou se ele
poderia indicá-la. Sinceramente, ele nem havia percebido que ela queria
um emprego. Quando ele perguntou a ela sobre isso depois, ela explicou,
"Você trabalha durante o dia, e meu pai e Jona estão fazendo os vitrais da
janela. Eu precisava fazer alguma coisa, e além do mais, eu quero pagar
pelo advogado. Não é como se meu pai tivesse muito dinheiro". Quando
ele a buscou após seu primeiro dia de trabalho, ele notou que sua mão
tinha assumido um tom esverdeado. "Eu tive que alimentar lontras", ela
confessou. "Alguma vez você teve que enfiar a mão em um balde de
peixe morto? É nojento!"
Eles conversavam, infinitamente. Não parecia ter tempo o suficiente para
que compartilhassem tudo que queriam. As vezes, simplesmente falavam
para preencher os momentos de tranquilidade - quando eles debatiam
sobre seus filmes favoritos, por exemplo, ou quando ela contou a ele que
apesar de ser vegetariana, ela ainda não tinha decidido se ovos e leite
contavam.
Mas em outras vezes, a conversa se tornava séria. Ela contou a ele mais
de suas memórias de quando tocava piano e seu relacionamento com o
pai; ele admitiu que em alguns momentos sentia-se ressentido com o fato
de ter que sentir a pressão de se tornar o tipo de pessoa que mãe queria
que ele fosse. Eles conversaram sobre o irmão dela, Jan, e a irmã dele,
Megan, e especularam e sonharam sobre onde a vida deles os levariam.
Para ele, o futuro parecia planejado: quatro anos em Vanderbilt, e após a
graduação ele ganharia experiência trabalhando em outra firma, e depois
voltaria para assumir os negócios do pai.
Ainda assim, enquanto contava seus planos a ela, ele pode ouvir a voz de
sua mãe sussurrando sua aprovação, e encontrou-se perguntando a si
mesmo se era isso que ele realmente queria. Quanto a Ronnie, ela
admitiu que não tinha muita certeza do que poderia acontecer. A incerteza
não parecia assustá-la, o que o fez admirá-la ainda mais. Depois,
enquanto refletia sobre seus respectivos planos, ele foi pego pela
realização de que deles dois, ela estava mais no controle de seu destino
do que ele.
Apesar das gaiolas que foram colocadas nos ninhos de tartaruga por toda
a praia, os guaxinins passaram por baixo da cerca de arame e destruíram
seis ninhos. Assim que Ronnie soube o que havia acontecido ela insistiu
que eles fizessem turnos para guardar o ninho que estava atrás de sua
casa. Não tinha nenhum motivo para que os dois ficassem lá fora durante
toda a noite, mas eles passavam a maioria das noites abraçados,
beijando-se, e conversando silenciosamente até muito depois de meia
noite.
Scott, é claro, não conseguiu entender isso. Mais de uma vez, Will se
atrasou para o treino e quando chegou, viu um Scott andando agitado,
perguntando-se o que tinha acontecido com seu amigo. No trabalho, nas
raras circunstâncias que Scott perguntava como as coisas estavam indo
com Ronnie, Will não lhe dava muita informação - ele sabia que Scott não
estava perguntando por interesse genuíno. Scott fez o seu melhor para
manter a atenção de Will focada no torneio de vôlei que estava chegando,
geralmente agindo como se mais cedo ou mais tarde Will fosse recuperar
o juízo e tudo voltaria ao normal como se Ronnie não existisse.
E por si mesmo, é claro, por falhar em chamá-lo à realidade.
Exceto pela preocupação de Ronnie em sua próxima aparição no tribunal,
a única preocupação no longo verão idílico deles era a presença contínua
de Marcus.
Apesar de quase sempre conseguirem evitá-lo, ás vezes era impossível.
Quando se cruzavam, Marcus sempre parecia achar uma maneira de
provocar Will, normalmente fazendo referências à Scott. Will sentia-se
paralisado. Se ele reagisse, Marcus talvez fosse à polícia; se ele não
fizesse nada, ele se sentiria envergonhado. Aqui estava ele, namorando
uma garota que iria assumir sua culpa, e o fato de que ele não conseguia
criar coragem para fazer o mesmo começou a atormentá-lo. Ele tentou
falar com Scott para deixá-lo livre e ir a polícia, mas Scott rejeitou a idéia.
E sempre indiretamente, ele nunca deixou Will esquecer o que ele tinha
feito por ele e sua família naquele horrível dia em que Mikey morreu. Will
assumia que Scott tinha sido um herói, mas de acordo com que o verão
avançava, ele começou a se perguntar se uma boa ação significava uma
ruim, posteriormente, e se deveria ser completamente ignorada - e em
seus momentos mais sombrios, se ele poderia suportar o verdadeiro
preço pela amizade de Scott.
Uma noite, no começo de agosto, Will concordou em levar Ronnie a praia
para caçar caranguejos aranhas.
"Eu te disse que não gosto de caranguejos!" Ronnie guinchou, agarrada
nos braços de Will
Ele riu. "São só caranguejos aranhas. Eles não vão te machucar"
Ela enrugou o nariz. "Eles são horríveis. Insetos nojentos do espaço"
"Você está se esquecendo que fazer isso foi idéia sua"
"Não, foi idéia do Jonah. Ele disse que isso era divertido. Isso é o que dá
ouvir alguém que aprende sobre a visa assistindo desenhos"
"Eu pensaria que alguém que serve peixe estragado para lontras não se
incomodaria com alguns caranguejos inofensivos na praia". Ele girou sua
lanterna, iluminando os rápidos movimentos das criaturas.
Ela examinou a areia freneticamente, vendo um caranguejo próximo ao
seu pé.
"Primeiramente, não são alguns caraguenjos inofensivos. São centenas
deles. Segundo, se eu soubesse que é isso que acontece na praia a noite,
eu teria feito você dormir ao lado do ninho todas as noites. Então, estou
um pouco brava por você ter escondido esse fato de mim. E terceiro, não
é só porque eu trabalho em um aquário que eu gosto de caranguejos
andando pelos meus pés"
Ele fez seu melhor para manter a expressão neutra, mas era muito difícil.
Quando ela olhou para cima, percebeu sua expressão.
"Pare de sorrir. Não é engraçado"
"Na verdade, é sim... Quer dizer, devem ter mais de vinte crianças com
seus pais fazendo a mesma coisa que nós"
"Não é minha culpa que os pais deles perderam o bom senso"
"Você quer voltar?"
"Não, está tudo bem", ela disse. "Você já me arrastou para o meio da
infestação."
"Você sabe que nós temos andado bastante pela praia"
"Eu sei. Então de novo, obrigada por trazer a lanterna e arruinar as
lembranças"
"Ótimo', ele disse, desligando-a.
Ela cravou suas unhas nos braços dele. "O que você está fazendo? Ligue
de novo"
"Você deixou perfeitamente claro que não gosta da lanterna"
"Mas se você desligar, eu não vou vê-los"
"Exatamente"
"O que significa que eles devem estar me cercando nesse exato
momento. Ligue novamente", ela implorou.
Ele ligou e eles começaram a descer a praia, ele riu. “Um dia, eu vou
desvendar você.”
“Eu não acho que vá. Se você não conseguiu ainda, então isso está além
do seu alcance”
“Pode ser verdade”, ele admitiu. Ele jogou um braço ao redor dela. “Você
ainda não me disse se você vai vir para o casamento da minha irmã.”
“É porque não decidi ainda.”
“Eu quero que você conheça Megan. Ela é ótima.”
“Não é com sua irmã que estou preocupada. Eu só acho que sua mãe não
quer que eu vá.”
“E daí? O casamento não é dela. Minha irmã quer você lá.”
“Você já falou com ela sobre mim?”
“É claro.”
“O que você disse”?”
“ A verdade.”
“Que você acha que sou sem cor?”
Ele piscou para ela. "Você ainda está pensando sobre isso?”
“Não. Esqueci tudo sobre isso. "
Ele bufou. "Ok, respondendo a sua pergunta. Não, eu não disse que você
era sem cor. Eu disse que você costumava ser sem cor.” Ela lhe deu uma
cotovelada nas costelas, e ele fingiu implorar por misericórdia. "Eu estou
brincando, estou brincando... Eu nunca diria isso".
"O que você disse a ela, então?
Ele parou, virando-a para encará-lo. "Como eu disse, eu disse a verdade
pra ela. Que você é inteligente, engraçada e fácil de ficar perto e bonita.
"Oh, bem, isso é bom, então."
“Você não vai dizer que me ama também?”
"Não tenho certeza se posso amar um cara tão carente", ela provocou.
Ela deslizou os braços em volta dele. "Ou você pode tomar esse
comentário como retorno para deixar caranguejos correr sobre meus
dedos. Claro que eu te amo”.
Eles se beijaram antes de retomarem a caminhada. Eles já estavam
quase chegando ao píer e estavam para fazer a volta quando viram Scott,
Ashley e Cassie se aproximando pela outra direção. Ronnie ficou tensa
em seus braços quando Scott desviou de seu caminho para encontrá-los.
"Aí está você, cara", Scott chamou enquanto se aproximava. "Eu te
mandei mensagens a noite toda"
Will apertou seus braços ao redor de Ronnie. "Desculpe, eu deixei meu
telefone na casa de Ronnie. O que houve?"
Enquanto ele respondeu, ele pode sentir Ashley encarando Ronnie à
distância.
"Eu recebi ligações de cinco equipes que vão estar no torneio, eles estão
querendo fazer um pré-torneio. São todos muito bons, e querem fazer um
mini-campo de treinamento em conjunto, para que todos estejamos
prontos para enfrentarmos Landry e Tyson. Muito treinamento, muitos
exercícios, muitos jogos. Nós estávamos até pensando em trocar nossas
duplas agora para melhorar o tempo de nossas reações, já que todos
temos estilos diferentes. "
"Quando eles vem?"
"Assim que estivermos prontos, mas estávamos pensando nessa semana
mesmo"
"Quanto tempo eles vão ficar?"
"Eu não sei. Três ou quatro dias? Quase certeza de que eles vão ficar até
o torneio. Eu sei que você tem as coisas do casamento e os ensaios, mas
nós podemos trabalhar isso"
Ele pensou novamente que seu tempo com Ronnie estaria chegando ao
fim logo. "Três ou quatro dias?"
"Vamos, cara. É exatamente isso que precisamos para nos prepararmos"
"Você não acha que já estamos prontos?"
"O que deu em você? Você sabe quantos treinadores da Costa Oeste
estão vindo para assistir o torneio." Ele apontou o dedo para Will. "Você
pode não precisar de uma bolsa de vôlei para entrar na faculdade, mas eu
preciso. E esta é a única oportunidade que eles vão ter de me ver
jogando"
Will hesitou. "Deixe-me pensar sobre isso, ok?"
"Você quer pensar sobre isso?"
"Eu tenho que conversar com meu pai primeiro. Eu não posso concordar
em ficar fora do trabalho por quatro dias sem perguntar a ele. Também
não acho que você possa."
Scott olhou para Ronnie. "Você tem certeza que é o trabalho é tudo que te
impede?"
Will reconheceu o tom de desafio, mas não queria discutir com Scott
naquele momento. Scott também pareceu achar que era melhor recuar.
"Ok, tudo bem. Fale com seu pai. Que seja", ele disse. "Talvez você
encontre um jeito de encaixar em sua programação"
Com isso, ele foi embora, lançando um olhar de lado para eles. Will,
incerto do que deveria fazer, começou a andar de volta a casa de Ronnie.
Quando eles já estavam fora do campo de audição de Scott, Ronnie
apertou seus braços na cintura de Will e perguntou, "Eles estava falando
do torneio que você me contou?"
Will acenou. "Na próxima semana. No dia depois do casamento de minha
irmã"
"Em um domingo?"
Ele assentiu. "É um torneio de dois dias, mas as mulheres jogam no
sábado"
Ronnie pensou sobre isso. "E ele precisa de uma bolsa de vôlei para
entrar na faculdade?"
"Ajudaria, definitivamente"
Ela o forçou a parar. "Então arrume tempo para esse campo de
treinamento. Treine e faça os exercícios. Faça o que você tem que fazer
para se preparar. Ele é seu amigo, certo? Nós arrumaremos tempo para
ficarmos juntos. Mesmo que nós dois tenhamos que sentar ao lado do
ninho de tartarugas. Eu posso trabalhar cansada"
Enquanto ela falava, Will só podia pensar em quão linda ela era e quanto
ele sentiria sua falta.
"O que vai acontecer conosco, Ronnie? Quando o verão chegar ao fim?"
Ele procurou pelo rosto dela.
"Você vai para a faculdade", Ronnie respondeu, afastando o olhar. "E eu
vou voltar para Nova York"
Ele levantou o rosto dela em direção ao seu. "Você sabe o que eu quis
dizer"
"Sim", ela disse. "Eu sei exatamente o que você quis dizer. Mas eu não
sei o que você quer que eu diga. Eu não sei se nós podemos dizer
alguma coisa"
"Que tal: Eu não quero que tenha um fim?"
Seus olhos eram verde como o oceano, e pareciam preocupados. "Eu não
quero que tenha um fim", ela repetiu suavemente.
Apesar de ser aquilo que ele queria ouvir, e ela foi realmente sincera, ele
percebeu o que ela já sabia: que pronunciar em voz alta, mesmo que
fosse verdade, tinha pouco poder para mudar o inevitável ou mesmo fazêlo
sentir-se melhor.
"Eu vou em Nova York te visitar", ele prometeu.
"Eu espero que sim"
"E quero que você vá ao Tenessee"
"Eu acho que posso suportar outra longa viagem se eu tiver um bom
motivo"
Ele sorriu enquanto eles começavam a descer pela praia. "Vou te dizer
uma coisa. Eu faço tudo que Scott quiser para nos preparamos para o
torneio se você concorda em ir comigo ao casamento da minha irmã"
"Em outras palavras, você vai fazer o que você faria de qualquer maneira,
e em troca, você ganha o que quer"
Não foi exatamente o que ele tinha dito. Mas ela tinha razão. "É", ele
disse. "Acho que é por aí"
"Algo mais? Já que você está sofrendo com essa barganha?"
"Agora que você mencionou, tem algo mais sim. Eu quero que você tente
falar com Blaze"
"Eu já tentei falar com ela"
"Eu sei, mas quando foi isso? Seis semanas atrás? Ela tem nos visto
juntos, então ela sabe que você não está interessada em Marcus. E ela
teve tempo para superar isso"
"Ela não vai falar a verdade", Ronnie o contrariou. "Isso significa coloca-la
em problemas"
"Como? Do que ela será acusada? O ponto é que eu não quero que você
entre em problemas por algo que você não fez. O dono não vai te ouvir, o
promotor não vai te ouvir, e eu não estou dizendo que Blaze vá, mas eu
não vejo outra opção para você tentar sair disso"
"Não vai funcionar", Ronnie insistiu.
"Talvez não. Mas eu acho válido tentar. Eu a conheço há muito tempo, e
ela nem sempre foi assim. Talvez haja algo lá no fundo que a diga que o
que ela está fazendo é errado e tudo que ela precisa é de um bom motivo
para melhorar."
Apesar de não concordar, ela não discordou, eles fizeram o caminho para
casa dela em silêncio. Quando eles se aproximaram, Will pôde ver que a
luz inundava a garagem.
"Seu pai está trabalhando na janela esta noite?"
"Parece que sim", ela disse.
"Posso ver?"
"Porquê não?"
Juntos, eles se dirigiram à garagem. Uma vez lá dentro, Will viu uma
lâmpada pendurada em um cabo de extensão, sobre uma grande mesa
de trabalho no centro.
"Acho que ele não está aqui", Ronnie disse, olhando ao redor.
"Esta é a janela?", Will perguntou, aproximando-se da mesa. "É enorme"
Ronnie foi para o lado dele. "É impressionante, não é? É para a igreja que
estão reconstruindo"
"Você não me disse isso." A voz dele soou estranha, mesmo para seus
próprios ouvidos.
"Eu não achei que fosse importante", ela disse automaticamente.
"Porquê? Isso é importante?"
Will afastou de sua mente as imagens de Scott e os fogos. "Não, na
verdade", ele disse rapidamente, fingindo inspecionar o vidro. "Eu não
sabia que seu pai tinha habilidade para fazer algo tão intricado"
"Eu não sabia também. Nem mesmo ele sabia, até começar. Mas ele me
disse que é importante para ele, então talvez tenha algo a ver com isso"
"Porquê é tão importante para ele?"
Enquanto Ronnie relatava a história que seu pai tinha contado a ela, Will
encarava a janela, lembrando-se do que Scott tinha feito. E, é claro, o que
ele não havia feito. Ela devia ter visto algo em seu rosto, pois quando
terminou, ela pareceu estar estudando-o.
"No que você está pensando?"
Ele passou sua mão no vidro antes de responder. "Você já se perguntou o
que significa a amizade?"
"Eu não tenho certeza do que você quer dizer"
Ele olhou para ela. "Até onde você iria para proteger um amigo?"
Ela hesitou. "Eu acho que depende do que o amigo tenha feito. E quão
sério seria." Ela colocou a mão nas costas dele. "O que você não está me
contando?"
Quando ele não respondeu, ela se aproximou dele rapidamente. "No fim,
você deve sempre fazer a coisa certa, mesmo que seja difícil. Eu sei que
isso pode não ajudar, e nem sempre é fácil de descobrir qual a coisa
certa. Pelo menos, na superfície. Mesmo que eu estivesse justificando
para mim que roubar não era grande coisa, eu sabia que era errado. E
isso fazia com que eu me sentisse... Obscura por dentro". Ela aproximou
seu rosto do dele, e ele pôde sentir o cheiro de areia e do mar que estava
na pele dela. "Eu não lutei contra as acusações, porque eu sabia que o
que eu estava fazendo era errado. Algumas pessoas sabem viver com
isso, contanto que esqueçam. Eles vêem sombras cinzas onde eu vejo
preto e branco. Mas eu não sou esse tipo de pessoa... E eu não acho que
você seja também."
Seu olhar deslizou para longe dela. Ele queria contar a ela, ansiava em
dizer tudo, desde que sabia que ela estava certa, mas ele parecia não
encontrar palavras. Ela o entende de maneiras que ninguém mais
entendia. Ele podia aprender com ela. Ele seria uma pessoa melhor com
ela ao seu lado. De muitas maneiras, ele precisava dela. Quando ele
forçou-se a voltar a real, ela encostou sua cabeça em seu ombro.
Quando eles finalmente saíram do barracão, ele estendeu a mão para
detê-la antes que ela voltasse para a casa. Ele a puxou para perto e
começou a beijá-la. Primeiro seus lábios, depois suas bochechas, e
então, seu pescoço. Sua pele estava como fogo já que ela havia passado
horas deitada no sol, e quando ele beijou seus lábios novamente, ela
envolveu seu corpo no dele. Ele enterrou suas mãos nos cabelos dela e
continuou beijando-a, enquanto, lentamente, a encostava na parede da
oficina. Ele a amava, ele a queria, e enquanto beijavam-se, sentiu as
mãos dela em suas costas e ombro. O toque dela era elétrico contra sua
pele, e ele sentiu-se escorregando para um lugar onde era controlado
somente por seus sentidos.
Suas mãos estavam passeando pelas costas e barriga dela, quando
sentiu Ronnie colocar suas mãos em seu peito e o afastar.
“Por favor,” “ela respirou, “nós temos que parar.”
“Porque?”
“Porque eu não quero que meu pai nos pegue. Ele podia estar nos
observado da janela agora.”
“Nós estamos só nos beijando.”
“Yeah. E nós meio que gostamos um do outro, também.” Ela riu.
Um sorriso frouxo espalhou-se pelo seu rosto. “O que? Nós não
estávamos só nos beijando?”
“Estou apenas dizendo o que parecia que.. o que nós estávamos fazendo
era caminhar para algo mais,” ela disse, arrumando sua camisa.
“E qual o problema?”
A expressão dela disse-lhe para parar de jogar, e ele sabia que ela tinha
um ponto, mesmo que não fosse o que ele queria. “Você está certa” Ele
suspirou, jogando as mãos em volta de um círculo frouxo ao redor de sua
cintura. “Eu vou tentar me controlar.”
Ela o beijou na bochecha. “Tenho total confiança em você.”
“Poxa, obrigada,” ele gemeu.
Ela piscou. “Eu vou ver meu pai, ok?”
“Ok. Eu tenho que estar no trabalho cedo amanhã de qualquer forma.”
Ela sorriu. “Muito triste. Eu não tenho que estar no trabalho até ás 10.”
“Eles ainda estão alimentando as lontras?”
“Elas tinham fome sem mim. Eu sou bastante indispensável agora.”
Ele riu. “Já te disse que acho que você é uma ótima protetora?”
“Eu não acho que ninguém tenha me dito isso. Mas só para você ficar
sabendo, você não é tão ruim de se ter por perto, também.”
......
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