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...♪...
Marcus
Ele sabia que ela iria segui-los. Elas sempre os seguiam. Especialmente...♪...
Marcus
as garotas novas na cidade. Esse era o lance com as garotas: O quão
pior você as trata, mais elas te querem. Elas são estúpidas assim mesmo.
Previsíveis, mas estúpidas.
Ele se apoiou contra o vaso de plantas em frente ao hotel, Blaze
envolvendo seus braços em torno dele. Ronnie estava sentada do outro
lado em um dos bancos; do outro lado, Teddy e Lance botavam defeitos
um no outro enquanto tentavam chamar a atenção das garotas que
passavam por eles. Eles já estavam bêbados — droga, eles estavam um
pouco bêbados mesmo antes do show — e como sempre, todas as
garotas, menos as feias, os ignoravam. Metade do tempo, até ele os
ignorava.
Blaze, enquanto isso, estava mordiscando seu pescoço, mas ele ignorou
isso também. Ele estava cansado do jeito que ela sempre se agarrava
nele quando estavam em público. Cansado dela no geral. Se ela não
fosse boa de cama, se ela não soubesse o que realmente o excitava, ele
já teria terminado com ela há um mês para ficar com uma das três ou
quatro ou cinco outras garotas que ele regularmente dormia. Mas agora
ele não estava interessado nelas, também. Em vez disso, ele olhou para
Ronnie, gostando da mecha roxa em seu cabelo e seu pequeno corpo
firme, o efeito cintilante de sua sombra de olho. Era uma espécie de estilo
elegante e informal, tirando a blusa ridícula que ela estava usando. Ele
gostava disso. Ele gostava muito disso.
Ele se pressionou contra o quadril de Blaze, desejando que ela não
estivesse aqui. “Vai pegar batata frita pra mim,” ele disse. “Estou meio
com fome.”
Blaze se afastou. “Eu só tenho uns dois dólares sobrando.”
Ele podia ouvir o lamento em sua voz. “E daí? Isso deve dar. E me
garanta que não vai comer nenhuma delas, também.”
Ele falava sério. Blaze estava ficando um pouco gordinha na barriga, um
pouco inchada no rosto. Nenhuma surpresa considerando que
ultimamente ela andava bebendo quase tanto quanto Teddy e Lance.
Blaze fez beicinho, mas Marcus lhe deu um pequeno empurrão e ela se
dirigiu a um dos estandes de comida. Era uma fila com pelo menos seis
ou sete estandes, e assim que ela alcançou o final, Marcus vagou por
Ronnie e se sentou ao lado dela. Perto, mas não muito perto. Blaze era
do tipo ciumenta, e ele não queria que ela assustasse Ronnie antes dele
ter a chance de conhecê-la.
“O que você acha?” ele perguntou.
“Sobre o que?”
“O show. Você já viu algo parecido em Nova Iorque?”
“Não,” ela admitiu. “Não vi.”
“Onde você está ficando?”
“Descendo um pouco a praia.” Ele podia dizer pela forma que respondia,
que ela estava desconfortável, provavelmente porque Blaze não estava
aqui.
“Blaze disse que você deu um bolo no seu pai.”
Em resposta, ela simplesmente deu de ombros.
“O que? Não quer conversar sobre isso?”
“Não tem nada para ser dito.”
Ele se inclinou para trás. “Talvez você não confie em mim.”
“Do que você está falando?”
“Você conversa com a Blaze, mas não comigo.”
“Eu nem te conheço.”
“Você também não conhece a Blaze. Você acabou de conhecer ela.”
Ronnie não pareceu apreciar suas petulantes respostas. “Eu só não
queria falar com ele, okay? E eu também não quero ter que passar meu
verão aqui.”
Ele tirou o cabelo dos seus olhos. “Então vá embora.”
“É, está certo. Para onde eu deveria ir?”
“Vamos para Flórida.”
Ela piscou. “O que?”
“Eu conheço um cara que tem um lugar por lá, logo depois de Tampa. Se
você quiser, eu te levo. Podemos ficar pelo tempo que você quiser. Meu
carro está logo aqui.”
Ela olhou para ele em choque. “Eu não posso ir para Flórida com você.
Eu... eu acabei de te conhecer. E a Blaze?”
“O que tem ela?”
“Você está com ela.”
“E daí?” Ele manteve o rosto neutro.
“Isso é muito estranho.” Ela balançou a cabeça e levantou. “Acho que vou
ver como a Blaze está indo.”
Marcus alcançou uma bola de fogo em seu bolso. “Você sabe que eu
estava brincando, certo?”
Na verdade, ele não estava. Ele disse isso pelo mesmo motivo que tinha
jogado a bola nela. Para ver o quão longe ele podia levá-la.
“É, claro. Ok. Eu ainda estou indo falar com ela.”
Marcus a observou saindo. Por mais que ele admirasse aquele pequeno
corpo explosivo, ele não tinha certeza do que fazer com ela. Ela se
encaixava no papel, mas diferente de Blaze, ela não fumava ou
demonstrava qualquer interesse em farrear, e ele tinha essa sensação de
que havia mais nela do que ela estava mostrando. Ele se perguntou se
ela viria por dinheiro. Fazia sentido, certo? Apartamento em Nova Iorque,
casa na praia? A família devia ter dinheiro para conseguir pagar essas
coisas. Mas... de novo, não tinha nenhuma chance dela se encaixar entre
as pessoas com dinheiro por aqui, pelo menos não os que ele conhecia.
Então qual das opções era? E por que isso importava?
Porque ele não gostava de pessoas com dinheiro, ele não gostava do jeito
que eles exibiam isso, e não gostava do jeito que pensavam que eram
melhores que os outros só por causa disso. Uma vez, antes dele largar a
escola, ele ouviu um garoto rico na sua escola falando sobre o novo barco
que tinha ganho de aniversário. Não era um lixo de esquife; era um
Boston Whaler de seis metros com GPS e sonda integrados, e o garoto
continuava se gabando sobre como ele iria usá-lo o verão todo e o havia
deixado no deque do clube.
Três dias depois, Marcus pôs fogo no barco e o assistiu queimar por
detrás da árvore de magnólia.
Ele não contou para ninguém o que havia feito, é claro. Conte para uma
pessoa, e você pode estar confessando para a polícia. Teddy e Lance
eram casos a se pensar: Os ponha atrás das grades e eles vão falar
assim que a porta fechar. Que era o motivo dele insistir que eles fizessem
todo o trabalho sujo esses dias. O melhor jeito de impedi-los de falar era
tendo certeza de que eram ainda mais culpados do que ele era. Hoje em
dia, eram eles que roubavam a bebida, eles que espancavam o cara
careca inconsciente no aeroporto antes de roubar sua carteira, eles que
pintavam suásticas na sinagoga. Ele não necessariamente confiava neles,
nem ao menos gostava deles, mas eles sempre concordavam com seus
planos. Eles serviam para um propósito.
Atrás dele, Teddy e Lance continuavam a agir como os idiotas que eram, e
sem Ronnie por perto, Marcus estava impaciente. Ele não pretendia ficar
sentado aqui a noite toda, fazendo nada. Depois que Blaze voltasse,
depois dele comer as batatas fritas, ele imaginou que iriam perambular
por aí. Ver o que acontecia. Nunca se sabe o que pode acontecer num
lugar desse, numa noite dessa, numa multidão dessa. Uma coisa ele tinha
certeza: Depois do show, ele sempre precisava de algo mais. O que quer
que isso significasse.
Espiando pelos estandes de comida, ele viu Blaze pagando pelas batatas
fritas, Ronnie logo atrás dela. Ele olhou para Ronnie, de novo desejando
que ela olhasse em direção a ele, e eventualmente, ela olhou. Nada de
mais, apenas uma rápida espiada, mas era o suficiente para fazê-lo se
perguntar novamente como ela era na cama.
Provavelmente selvagem, ele pensou. A maioria delas era, com o certo
tipo de encorajamento.
......
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